A Constelação
A minha constelação reúne imagens minhas e de outros artistas, cinema, literatura e materiais de arquivo. Funciona como uma mesa de montagem: aproximo obras por afinidades formais, tensões éticas e problemas partilhados, para observar como a imagem ganha autoridade; e como a perde; quando circula entre documento, ficção e simulação.
Não procuro citar por ornamentação. Cada referência entra como ferramenta: um modo de iluminar questões do meu trabalho,memória e reescrita, autoria e responsabilidade, reconhecimento e crença. A constelação, portanto, não organiza um “gosto”; organiza um campo de forças onde diferentes imagens se testam umas às outras, deixando rasto no modo como vejo, escolho e construo.
Não procuro citar por ornamentação. Cada referência entra como ferramenta: um modo de iluminar questões do meu trabalho,memória e reescrita, autoria e responsabilidade, reconhecimento e crença. A constelação, portanto, não organiza um “gosto”; organiza um campo de forças onde diferentes imagens se testam umas às outras, deixando rasto no modo como vejo, escolho e construo.
Performance - Silvestris 2025
/ Por giselle Hinterholz
“Hoje, a mamãe morreu. Ou talvez ontem, não sei.”
(Albert Camus) O Estrangeiro
Francesca Woodman Quando puder, deixo uma rosa na tua campa
“Sou um corpo falante / um corpo que dança / um corpo que rui / um corpo que insiste”
(Modelos Vivos, 2010)Ricardo AleixoRICARDO ALEIXO/ MODELOS VIVOS
refer to a message
displayed by a computer
system, indicating
it's ready for
input...
/ Autor desconhecido
Atmosfera silenciosa, quase ritualística —
um relicário do que já foi vivo / Giselle Hinterholz
um relicário do que já foi vivo / Giselle Hinterholz
“As palavras têm sempre um corpo / por onde escorre o tempo.”
(O Livro das Semelhanças, 2015)
(O Livro das Semelhanças, 2015)
Ana Martins MarquesPALAVRAS DE ANA MARTINS MARQUES
A MÃE / Giselle Hinterholz
“A memória é uma cidade pequena: tudo está perto demais.”
(A vida submarina, 2009) Ana Martins Marques
(A vida submarina, 2009) Ana Martins Marques
Eu carregava um corpo no saco.
Ninguém viu... /Giselle Hinterholz
Um corpo desfeito, mas ainda presente.
Não se vê, mas pulsa sob camadas de tinta, fios, pregos e ruído.
Cada material carrega um gesto — conter, amarrar, esconder, perfurar.
Esta é a topografia íntima de um corpo que resiste à legibilidade.
Já não é autor, nem objeto. É território.
Fragmentado, tenso, vivo — como se o próprio ato de criação
fosse uma ferida que se reabre cada vez que se tenta nomeá-la.
The Shining 1988 / projeto IA Giselle Hinterholz
“há um cadáver na sala de estar / e ninguém quer falar sobre isso.”
(Modelos Vivos, 2010) Ricardo Aleixo
(Modelos Vivos, 2010)
Não a que aquece,
mas a que ameaça consumir.
Chama o que não cabe,
o que excede a imagem,
o que nos olha por trás da beleza.
Chama,
como quem invoca —
o abismo do prazer que fere,
o terror que nos suspende.
Kant diria:
é sublime.
Mas não é o mundo que é grande —
— sou eu que me rasgo diante dele.
Uma flor não basta.
Um corpo, já sem mãe,
pulsa em silêncio.
Chama.
Como verbo.
Como incêndio.
Como juízo.
Chama (o sublime de Kant)
e vê se ele responde.
Objetos naturais — rodelas de madeira, conchas, sementes, vidro —
acondicionados em saquinhos plásticos como relíquias sem nome.
Não são lembranças de algo específico, mas vestígios do que me atravessa.
Guardei-os assim, individualizados, não para esquecê-los,
mas para poder olhar de novo, com outros olhos,
quando o tempo os devolvesse com outra camada de sentidos.
Talvez a memória não seja aquilo que guardamos,
mas o modo como reconfiguramos o que um dia nos tocou.
Stalker
Margarita Terekhova
AM
-luto (velado, simbólico)
-identidade (fragmentada, subversiva)
-o corpo (como marca, como lugar de criação e perda)
-a estética da ausência, do abjeto, da ferida
-a morte do autor / da mãe / da promessa
-a artificialidade emocional