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Chama.
Não a que aquece,
mas a que ameaça consumir.

Chama o que não cabe,
o que excede a imagem,
o que nos olha por trás da beleza.

Chama,
como quem invoca —
o abismo do prazer que fere,
o terror que nos suspende.

Kant diria:
é sublime.

Mas não é o mundo que é grande —

— sou eu que me rasgo diante dele.

Uma flor não basta.

Um corpo, já sem mãe,
pulsa em silêncio.

Chama.

Como verbo.
Como incêndio.
Como juízo.

Chama (o sublime de Kant)
e vê se ele responde.

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