R 3— Julia Kristeva – O conceito de Abjeção
O conceito de abjeção, desenvolvido por Julia Kristeva ¹, refere-se àquilo que perturba as fronteiras do sujeito, evocando simultaneamente repulsa e estranheza. A abjeção manifesta-se naquilo que não é completamente interno nem externo, mas ocupa uma posição liminar, desestabilizando as noções de identidade e ordem simbólica.
Esse processo ocorre quando algo que deveria ser expulso ou separado do sujeito retorna de forma inquietante, ameaçando a estrutura da subjetividade. A presença do abjeto provoca um desconforto visceral, pois revela aquilo que é rejeitado para que a identidade se mantenha estável. Esse fenômeno pode ser observado na maneira como certos corpos deslocados, fluidos orgânicos ou imagens de degradação provocam reações de aversão e fascínio ao mesmo tempo.
A abjeção, ao romper com as fronteiras do que é considerado aceitável, desafia convenções estéticas e sociais, tornando-se um elemento recorrente na arte e na teoria contemporânea. O confronto com o abjeto não apenas expõe as fragilidades das estruturas simbólicas, mas também sugere uma reflexão sobre a relação entre identidade, exclusão e os limites do corpo e da representação.
1. Kristeva, Julia. Poderes do Horror: Ensaio sobre a Abjeção. Paris: Éditions du Seuil, 1980. Disponível em:
https://www.academia.edu/18298036/Poderes_do_Horror_de_Julia_Kristeva_Cap%C3%ADtulo_1.
2. Vídeo sobre Julia Kristeva e o conceito de Abjeção:
Explora como o que nos causa repulsa está diretamente ligado às fronteiras do eu e do outro. O desconforto gerado pelo polvo deslocado em espaços cotidianos encontra um paralelo nesse conceito.
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